tiram-se os anéis, ficam-se os dedos. eu adoro essa expressão. minha avó conseguia usar tal frase em vários momentos. lembro de sua voz dizendo cada uma dessas palavras. ficava pensando: bela sabedoria, porque, afinal, o que importa são os dedos, não é mesmo? ou não são?
eu sinto falta de não ter prazos. era muito melhor: ou as coisas estavam distante demais para o prazo ser levado a sério, ou eu simplesmente não possuía uma data para me preocupar. hoje, minhas ansiedades têm data marcada.
eu sinto falta de dormir uma noite inteira de sono e acordar a hora que eu quiser, sem pressa. eu tenho acordado toda noite, mesmo que ninguém me acorde ou que nenhum barulho provoque a interrupção do meu sono. minhas ansiedades me despertam.
eu sinto falta de não ter perspectivas na vida e tudo bem, isso era resolvido com uma cerveja na lapa. por mais que todo mundo odeie a lapa, é lá que todas as mágoas escoam. atualmente, minhas ansiedades têm dividido o copo de cerveja comigo.
mas quer saber? vão-se os anéis, ficam-se os dedos. ou algo assim, já não lembro exatamente o ditado.
tô aqui, tô viva, tô mais viva do que nunca. tô tão viva que cuido de outro ser vivo. tô viva a ponto de estar até cansada. nunca fui tão feliz. nem tão triste. nunca me preocupei tanto com futuro. nunca senti tanta saudade do passado. nunca tive que prestar tanta atenção no aqui, no agora. tô viva e cheia de dedos. tenho cinco, em cada mão. e isso sem contar os pés. tenho caminhado. tenho seguido. a vida é isso mesmo. os anéis a gente vai catando por aí.
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