quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
Meu tema
São 22h25 de uma quarta pré Natal. Eu fiquei menstruada e junto com a menstruação, confesso, veio um desânimo ainda maior com tudo. Estou sangrando, pouca me importa. Mas a verdade é que em um outro dia sempre volta a importar. Parece que perdi já a capacidade de falar dessas coisas. Porque tem tanta coisa mais importante no mundo (além também da minha menstruação, claro). Mas acontece que talvez esse seja meu tema, fazer o quê? Não sei ao certo o dia, mas lembro dos instantes. Te perdi nos meus pequenos atos, como aquele dia que fui pouco carinhosa com alguém mas não de propósito e sim por cansaço. Ou outro dia em que fui carinhosa demais por pura vaidade. A coisa toda foi desandando. Como quando se tenta cortar o cabelo sozinho. Vai tentando ajeitar o corte e quando vê só piorou. Nosso relacionamento virou essa franja torta. Mas eu até que gosto de franjas tortas. Talvez por estar naqueles dias... Sentimental demais. Não consigo te perder por completo. Fica sempre teu vulto por aí a me rondar. Queria te jogar longe. Mas você volta feito ioiô. (Queria uma metáfora melhor, mas que posso fazer? Eu adorava ioiô quando criança.) Fico me perguntando porque insisto nesse tema. Talvez perder pessoas doa demais em mim. Porque talvez eu goste de ser melancólica. Acho que combina com minha franja.
terça-feira, 31 de outubro de 2017
morar longe do mar
Aqui nessa casa
Ao pé de uma pedreira
No meio de uma floresta
Sinto o cheiro da terra
Cheiro inconfundível do terreno
Escuto a calma dos dias nublados
E vejo ao longe outras colinas e pedreiras
Num gigante infinito de ladeiras
Não sinto o cheiro de maresia
Cheiro inconfundível de agua e areia
Se espalhando por toda a costa
Não sinto o calor das cidades litorâneas
O calor inconfundível das praias do oceano Atlântico
Calor que invade nossos corpos
Corpos quentes em busca de abrigo
Corpos que são tambem abrigos de almas inquietas
Sempre em busca de água e areia
Aqui faz frio pelas manhãs
Mas ao meio dia
O sol que bate no mar
Também bate nessa pedra
Sinto o calor invadir minha alma inquieta
E quase sinto o saudoso cheiro do mar
Ao pé de uma pedreira
No meio de uma floresta
Sinto o cheiro da terra
Cheiro inconfundível do terreno
Escuto a calma dos dias nublados
E vejo ao longe outras colinas e pedreiras
Num gigante infinito de ladeiras
Não sinto o cheiro de maresia
Cheiro inconfundível de agua e areia
Se espalhando por toda a costa
Não sinto o calor das cidades litorâneas
O calor inconfundível das praias do oceano Atlântico
Calor que invade nossos corpos
Corpos quentes em busca de abrigo
Corpos que são tambem abrigos de almas inquietas
Sempre em busca de água e areia
Aqui faz frio pelas manhãs
Mas ao meio dia
O sol que bate no mar
Também bate nessa pedra
Sinto o calor invadir minha alma inquieta
E quase sinto o saudoso cheiro do mar
sábado, 2 de setembro de 2017
universo
a primeira vez que te vi
foi como olhar para o céu
em uma floresta
em minas gerais
e perceber que ele é muito
mais estrelado
do que eu dava conta
e ficar boquiaberta
com a quantidade de coisa
que tem nesse universo
e que a gente nem se dá conta
e perceber ainda
que quanto mais se olha
mais estrela surge
numa imensidão
sem fim de pontos
brilhantes
foi assim quanto te vi
e pensei que eu não sabia
da quantidade de coisa
que tem nesse negócio de amor
e olhar teu rosto
estrelado
por cada vez mais tempo
foi me fazendo ver
que quanto mais se olha
mais amor surge
numa imensidão
sem fim de você
brilhante
foi como olhar para o céu
em uma floresta
em minas gerais
e perceber que ele é muito
mais estrelado
do que eu dava conta
e ficar boquiaberta
com a quantidade de coisa
que tem nesse universo
e que a gente nem se dá conta
e perceber ainda
que quanto mais se olha
mais estrela surge
numa imensidão
sem fim de pontos
brilhantes
foi assim quanto te vi
e pensei que eu não sabia
da quantidade de coisa
que tem nesse negócio de amor
e olhar teu rosto
estrelado
por cada vez mais tempo
foi me fazendo ver
que quanto mais se olha
mais amor surge
numa imensidão
sem fim de você
brilhante
sexta-feira, 14 de julho de 2017
anéis e dedos
tiram-se os anéis, ficam-se os dedos. eu adoro essa expressão. minha avó conseguia usar tal frase em vários momentos. lembro de sua voz dizendo cada uma dessas palavras. ficava pensando: bela sabedoria, porque, afinal, o que importa são os dedos, não é mesmo? ou não são?
eu sinto falta de não ter prazos. era muito melhor: ou as coisas estavam distante demais para o prazo ser levado a sério, ou eu simplesmente não possuía uma data para me preocupar. hoje, minhas ansiedades têm data marcada.
eu sinto falta de dormir uma noite inteira de sono e acordar a hora que eu quiser, sem pressa. eu tenho acordado toda noite, mesmo que ninguém me acorde ou que nenhum barulho provoque a interrupção do meu sono. minhas ansiedades me despertam.
eu sinto falta de não ter perspectivas na vida e tudo bem, isso era resolvido com uma cerveja na lapa. por mais que todo mundo odeie a lapa, é lá que todas as mágoas escoam. atualmente, minhas ansiedades têm dividido o copo de cerveja comigo.
mas quer saber? vão-se os anéis, ficam-se os dedos. ou algo assim, já não lembro exatamente o ditado.
tô aqui, tô viva, tô mais viva do que nunca. tô tão viva que cuido de outro ser vivo. tô viva a ponto de estar até cansada. nunca fui tão feliz. nem tão triste. nunca me preocupei tanto com futuro. nunca senti tanta saudade do passado. nunca tive que prestar tanta atenção no aqui, no agora. tô viva e cheia de dedos. tenho cinco, em cada mão. e isso sem contar os pés. tenho caminhado. tenho seguido. a vida é isso mesmo. os anéis a gente vai catando por aí.
eu sinto falta de não ter prazos. era muito melhor: ou as coisas estavam distante demais para o prazo ser levado a sério, ou eu simplesmente não possuía uma data para me preocupar. hoje, minhas ansiedades têm data marcada.
eu sinto falta de dormir uma noite inteira de sono e acordar a hora que eu quiser, sem pressa. eu tenho acordado toda noite, mesmo que ninguém me acorde ou que nenhum barulho provoque a interrupção do meu sono. minhas ansiedades me despertam.
eu sinto falta de não ter perspectivas na vida e tudo bem, isso era resolvido com uma cerveja na lapa. por mais que todo mundo odeie a lapa, é lá que todas as mágoas escoam. atualmente, minhas ansiedades têm dividido o copo de cerveja comigo.
mas quer saber? vão-se os anéis, ficam-se os dedos. ou algo assim, já não lembro exatamente o ditado.
tô aqui, tô viva, tô mais viva do que nunca. tô tão viva que cuido de outro ser vivo. tô viva a ponto de estar até cansada. nunca fui tão feliz. nem tão triste. nunca me preocupei tanto com futuro. nunca senti tanta saudade do passado. nunca tive que prestar tanta atenção no aqui, no agora. tô viva e cheia de dedos. tenho cinco, em cada mão. e isso sem contar os pés. tenho caminhado. tenho seguido. a vida é isso mesmo. os anéis a gente vai catando por aí.
sexta-feira, 7 de abril de 2017
Trinta segundos
Não sabia como se comportar na minha presença, nem como encostar em mim. Tímido. Encostou a mão na minha perna e eu me arrepiei. Coisa boba. Eu, já escaldada, me arrepiando com tão pequena bobeira. Ficou três minutos com a mão na minha perna. O lugar parecia eletrizado. Eu contava da minha viagem pra Alemanha, perdi até as palavras. Minha perna formigava, a mão tremia, pele fria, mil átomos por milésimo de segundo. Tirou a mão e eu quis gritar: "Não, volta! Que tava bom!". Mas peguei a timidez. Nunca aconteceu antes. Paralisei sem saber o que fazer.
Agora era ele que me contava uma história, mas eu mal ouvia o que me falava. Qualquer coisa sobre um filme que tá passando no cinema sobre a Segunda Guerra Mundial. Ou não é filme, mas é só guerra. Cheguei mais perto. Joelho com joelho. Eletrizou de novo. Coxa com coxa. Cotovelo com cotovelo. Antebraços se esbarrando. Fiquei tão perto que quase não fazia sentido. Estava esquisito. Ele gesticulando e meu braço atrapalhando cada movimento. Perto demais e ele falando de sei lá o que com Muro de Berlim, Guerra Fria. Eu achava que era de Hitler, de Segunda Guerra, mas ele já tinha derrubado o muro.
- Você entendeu? É coisa demais pra cabeça. - ele perguntou eufórico e sem saber aonde colocar a mão, agora que parava de gesticular.
Demorei exatos 30 segundos propositais para responder. Coisa demais pra cabeça. E, afinal, eu tinha uma teoria. Vi num filme de Tarantino. A gente encontra alguém especial quando consegue ficar em silêncio com aquela pessoa de forma confortável. Sem ter que preencher o vazio com baboseiras sobre tempo, política e etc e tal. Testei.
30, 29, 28...
A mão dele voltou para minha perna.
27, 26, 25, 24, 23...
Eu olhei bem no meio dos olhos dele. Eram bonitos, nunca havia reparado.
22, 21, 20...
Dobrei a perna, que ficou em cima da mão. Assim não me escapa.
19, 18, 17, 16...
Ele colocou meu cabelo para trás da orelha. Me derreti. Não era eu. Em qualquer outra época, pessoa, lugar ou espaço sideral, teria achado esse o gesto mais babaca do mundo. Mas hoje não.
15, 14...
Eu, a grande babaca da noite, sorri sem mostrar meus dentes.
13, 12, 11, 10...
Não conseguia mais respirar.
9, 8, 7...
Acho que minha barriga fez um barulho esquisito.
6, 5, 4, 3, 2, 1.
dezembro / 2012
Istambul
Três janelas, três grades.
A fumaça do Malboro é a única que passa.
Imagino me transformando em pássaro
- não importa gênero, tipo ou raça.
Meus braços viram asas e meu nariz bico.
Um pássaro pequeno.
(Tinha só que ser pequeno)
Atravesso a grade e bato as asas
Sem parar até chegar em Istambul.
Afinal, aqui ninguém se cansa
De ser quem é?dezembro / 2012
Esperanças para o fim do mundo
Que se exploda
Em mil e cinquenta e nove pedacinhos.
1ª versão
Hoje acordei com preguiça de me apaixonar. Que preguiça que dá! Sentir frio na barriga toda vez que fala comigo. Um alerta que percorre todo o corpo quando o vejo de longe. E a preocupação. Logo hoje que tô com essa cara amassada. Cara de cotia. E eu sei onde isso tudo termina. Termina com a gente sentado num sofá vendo um filme na televisão no maior tédio que todo o mundo já experimentou. Um aperto no coração. Será esse o fim da paixão ou o começo? Tudo que repete cansa? E todas as outras pessoas do mundo? O mundo cercado de gente bonita. E eu aqui nesse sofá só consigo pensar em uma. Que preguiça! Que preguiça! De morrer a cada não e nascer a cada sim. Achar que devo sentir ciúmes. Achar que presença é inexprimível. Fazer mil contas, teorias e conjecturas. Se disse isso, talvez queira ter dito aquilo e esse aquilo ihhh.. Não me quer mais. Ô cansaço. Acho que não sei me apaixonar direito. Deve ser.
2ª versão
Hoje acordei com preguiça de me decidir. Que preguiça preguicenta! Há três anos me disseram: agora é só você escolher uma carreira que queira seguir a vida inteira. Ô, meu deusinho, me ajuda! Não tem nada nesse mundo que eu queira fazer repetidamente durante toda a minha vida. Nada. Nada que me prenda. Nada que me atraia. E eu acho incrível aquela pessoa que consegue se contentar com as mesmas coisas, nos mesmos horários, durante os mesmos meses e se seguiram os anos. Que preguiça de seguir um caminho para sempre! Que preguiça! Pensei em tantas coisas: serei médica e seguirei salvando vidas pelo mundo; não, serei professora e seguirei ensinando francês para alunos cariocas; mentira, vou ser jornalista e mudar opiniões; mas eu queria tanto estudar artes... Ô cansaço. Acho que não sei querer algo direito. Deve ser.
3ª versão
Hoje ainda não acordei. Que preguiça! Tô de cama. Ô cansaço. Acho que não sei acordar direito. Deve ser.
dezembro / 2012
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